sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Na planta das emoções

Conquista era uma engenheira muito capaz nas edificações do amor, não havia um só lar danificado sob sua assinatura. Certo dia Conquista resolveu cair na night e se aventurou com o Instante, foi daí que uns nove meses depois surgiu o Ficar, um filho muito esperto que mais tarde se tornara arquiteto junto a mãe.
Instante nas funções de pai, pouco se apresentava e sempre falava para ninguém esquentar a cabeça porque a vida era breve e tudo passava. Ficar em certa parte pensava assim também, mas dificilmente resistia aos encantos da Empolgação. Conquista, mais madura, só observava e tentava repara as falhas do filho.
Nessas idas e vindas, aparece uma proposta de trabalho para edificação do condomínio do amor; Ternura Residencial Service. Conquista sabia que não seria uma obra fácil, pois o material do carinho é alto e caro, com detalhes bem peculiares. Só que Ficar devido flertes com a Empolgação, não levava muito a sério tal projeto e por conveniência, apostava nas licitações da loja do Instante. Isso mesmo, Ficar e Instante, pai e filho, eram muito unidos por terem objetivos em comum; pouco trabalho e muito prazer. As brigas em família eram constantes e Conquista decide então entregar todo o projeto para tais presunçosos.
Terminada a obra, condomínio entregue. Problemas, logo vieram de ordem breve; tetos efêmeros, vazamentos de mágoa, degraus soltos de insensatez, instalação elétrica da paixão em curto. Um caos no conteúdo habitacional da felicidade.

E como todo filho faz na hora do desespero, recorreu a mãe pedindo ajuda. Conquista então esclareceu; “Você esqueceu de adquirir o material da paciência e de ter a humildade de ser observado por mim. Aprenda, tudo que construíres em teu nome, refletirá teu caráter perante o mundo. Portanto, aprimora teu projeto pessoal em proporção universal que a vida se encarregará de assinar teu sucesso”.

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