quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

domingo, 9 de janeiro de 2011

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Na planta das emoções

Conquista era uma engenheira muito capaz nas edificações do amor, não havia um só lar danificado sob sua assinatura. Certo dia Conquista resolveu cair na night e se aventurou com o Instante, foi daí que uns nove meses depois surgiu o Ficar, um filho muito esperto que mais tarde se tornara arquiteto junto a mãe.
Instante nas funções de pai, pouco se apresentava e sempre falava para ninguém esquentar a cabeça porque a vida era breve e tudo passava. Ficar em certa parte pensava assim também, mas dificilmente resistia aos encantos da Empolgação. Conquista, mais madura, só observava e tentava repara as falhas do filho.
Nessas idas e vindas, aparece uma proposta de trabalho para edificação do condomínio do amor; Ternura Residencial Service. Conquista sabia que não seria uma obra fácil, pois o material do carinho é alto e caro, com detalhes bem peculiares. Só que Ficar devido flertes com a Empolgação, não levava muito a sério tal projeto e por conveniência, apostava nas licitações da loja do Instante. Isso mesmo, Ficar e Instante, pai e filho, eram muito unidos por terem objetivos em comum; pouco trabalho e muito prazer. As brigas em família eram constantes e Conquista decide então entregar todo o projeto para tais presunçosos.
Terminada a obra, condomínio entregue. Problemas, logo vieram de ordem breve; tetos efêmeros, vazamentos de mágoa, degraus soltos de insensatez, instalação elétrica da paixão em curto. Um caos no conteúdo habitacional da felicidade.

E como todo filho faz na hora do desespero, recorreu a mãe pedindo ajuda. Conquista então esclareceu; “Você esqueceu de adquirir o material da paciência e de ter a humildade de ser observado por mim. Aprenda, tudo que construíres em teu nome, refletirá teu caráter perante o mundo. Portanto, aprimora teu projeto pessoal em proporção universal que a vida se encarregará de assinar teu sucesso”.

Estilo hippie sábio de ser

Ipanema. “Rio 40 graus”. Na beira da praia Vaidade desfilava toda sua exuberância. Pertinho dali, Juventude jogava frescobol, Maturidade rolava um gamão com os amigos Paciência e Descontração. Cultura preferia dar uma olhadinha na Revista de Domingo do JB, mas como a Leviandade não tomou conta daquele cachorro que todos conhecem como Incômodo e apenas numa fração de minuto, tal canino atropelou o jogo da maturidade, rasgou a revista da Cultura e tentou pegar a bola de frescobol da Juventude. Céus! Mas Juventude que se preza, foi mais ágil e Incômodo não pegou a bolinha, mas sobrou para a Vaidade que levou uma bolada com direito a água salgada e areia. Xí ! Logo em quem... Mais uns graus subiram na praia de pleno Domingo Carioca. Paz era apenas do artesão “Zen” que circulava vendendo seus brincos e pulseiras.
Assistindo a tudo lá das pedras do Arpoador, Experiência comentava com a Sabedoria (qual adorava aquela canga que imita as fitinhas do Senhor do Bonfim)
- Por que será que esse pessoal não consegue aproveitar a praia como nós?
Sabedoria olhou, pensou, concentrou-se e respondeu;
- É porque vemos as coisas de maneira diferente, entendemos que tudo depende do ponto de vista. Não é à toa que estamos sentadas aqui.

Uma chance

Perdão queria ter a Volta ao seu lado, mas a Distância sempre estava entre os dois. Distância era bem “criativa” e oferecida, arrumava desculpas para sempre ocupar o Perdão e dificultar seu encontro com a Volta. Apesar de tantos contornos, Perdão não quis mais saber dos argumentos da Distância e resolveu ele próprio encurtar suas idas e temores em relação à Volta resolveu procura-la e explicou tudo desde daquele dia infeliz da separação. Volta olhou profundamente nos olhos de Perdão e questionou quantas vezes seria preciso ele ir para depois quer retornar, pois ela não agüentava mais chorar junto ao Sofrer. Perdão calou-se e caindo em si respondeu; - Meu desprezo a ti foi a partida e meu despeito, foi o estopim que dei a Distância para nos separar. Quando a Estrada das Aparências começou a revelar suas verdadeiras entranhas, percebi o equívoco de um atalho ilusório, sem retorno do Afeto e acostamento da Amizade. Não quero mais passar por essa Estrada da Falsa Liberdade que conduz a solidão e o abandono, estou farto de chegar a nenhum lugar, me aceita porque aprendi que só é possível conquistar o mundo quando alinhamos nosso Universo pessoal diante da pluralidade transcendental dos sentimentos. E foi nesse instante, que reencontrei você dentro de mim, na minha vida, onde jamais deveria ter lhe ignorado. Deixa-me ficar contigo de vez.
Volta não se conteve e chorou abraçada fortemente ao Perdão, aceitando seu pedido em definitivo. E dessa união vieram as Pazes, a Ternura e a Lealdade. Filhos que mais tarde, ensinaram muitas coisas aos pais.

Cardápio de poucos

A Inveja observava atentamente o prato que a Gula comia. Cada comida mais gostosa que a outra, incitavam a Gula a comer mais e mais. A Inveja preferia só experimentar todas delícias com os olhos.
No mesmo restaurante também estavam a Angústia, a Depressão, o Sucesso e o Bem-estar. Angústia e depressão do lado esquerdo da Gula, Sucesso do lado direito e Bem-estar ao centro de todos. Inveja que outra mesa assistia tal situação, comentava com a Miséria e o Desperdício;
- Quanto gasto desnecessário para daqui a pouco ser eliminado...Também tem o seguinte, essa Angústia e Depressão quando não estão conosco, empanturram-se de excessos hipócritas. Já o Sucesso mero oportunista, aceita tudo que lhe convém, só o Bem-estar que é metido a fazer dieta e ser “socity”, por isso senta-se ao centro de todos. Tudo isso me dá enjôo só de ver!
O Bem-estar ouvindo tais palavras da Inveja mandou através do garçom dos estilos a seguinte mensagem escrita num guardanapo:
“Pelo menos, não sou eu que deixo de saborear os prazeres da vida e nem fico nutrindo a infelicidade alheia, pois quando estou perto do Sucesso, tudo ao meu redor se transforma. E nem tão pouco sou evitado, pois o cardápio das amizades, embora muito variado, não possui a receita que resolva indigesta questão de ser uma má companhia como você”.

A sala dos poderes

Estudavam em uma classe o Ódio, a Vingança, a Tolerância e a Serenidade. O Ódio perturbava a todos e em especial a Vingança que aprontava todas com o Ódio. Tolerância muito irritada, não conseguia entender as explicações da Virtude e por isso reclamava com a Serenidade, dizendo que isso não podia ficar assim e que ela por ser a melhor aluna teria então que tomar uma providência. Serenidade dizia que bastava ela se isolar de tudo para prestar muita atenção nas aulas e assim obter as melhores notas no desempenho das questões sentimentais.
Vendo aquele “blá-blá-blá” a mestra virtuosa tentou expulsar o Ódio, mas ele se recusou a sair, advertiu a Vingança, mas ela ignorou. Foi quando ralhou com a Serenidade dizendo que ela devia dar bons exemplos e não se omitir. A Serenidade começou a ficar próxima da Revolta, uma aluna que raramente comparecia, mas que também incendiava a sala. Decidida, a Tolerância resolveu ser a representante da turma, disciplinando os bagunceiros e ensinando que a passividade muitas vezes é a face oculta do egoísmo que não incomoda com nada, nem mesmo diante da virtude que possui.
E assim a Tolerância estabeleceu limites a todos.