quarta-feira, 29 de abril de 2009



FELICIDADE PODE SER CONTAGIOSA

Um estudo publicado na revista científica “British Medical Journal” aponta que a felicidade de uma pessoa não é só uma escolha ou experiência individual, mas está vinculada “à felicidade dos indivíduos aos quais ela está ligada, direta ou indiretamente”. Os pesquisadores Nicholas Christakis, da Escola de Medicina de Harvard (Massachusetts), e James Fowler, da Universidade da Califórnia, mediram, a partir de análises estatísticas,como as redes sociais estão relacionadas com a sensaçãode felicidade de uma pessoa. Segundo os dados do estudo, a felicidade de um indivíduo pode contagiar aqueles com quem ele se relaciona. “Mudanças na felicidade individual podem se propagar pela rede social e gerar grupos de felicidade e infelicidade”, dizem ospesquisadores. Não apenas os laços sociais mais próximos têm impacto nesses níveis de felicidade. O sentimento consegue atingir até três graus de separação (amigos de amigos de amigos). Segundo Christakis e Fowler, “pessoas cercadas por pessoas felizes e aquelas que são centrais nessas redes de relações têm mais tendência a serem felizes no futuro”. O estudo indica que esses grupos de “felicidade” resultam da disseminação desse sentimento, não sendo só consequência de uma tendência de os indivíduos se associarem a pessoas com características similares às suas. Se alguém se tornar feliz e viver a cerca de 1,6 km da casa de um amigo, este terá 25% mais chances de também desfrutar desse sentimento.

Curiosamente, essa relação não foi observada entre colegas de trabalho, sugerindo que o contexto social pode afetar na difusão da felicidade.

Questão geográfica e saúde pública

A pesquisa também mostra que a proximidade geográfica é essencial para a propagação desse sentimento. Uma pessoa tem 42% mais chances de ser feliz se um amigo se tornar feliz e viver distante dela menos de 800 metros. O efeito é de apenas 22% caso o amigo more a mais de 2,2 km. Para chegar a essas conclusões, os autores verificaram outro estudo composto de informações coletadas com 5.124 adultos com idades de 21 a 70 anos, entre 1971 e 2003, na cidade de Framingham, localizada no Estado norte-americano de Massachusetts.Desenvolvida originalmente para analisar riscos de problemas no coração, esta pesquisa também colheu dados sobre a saúde mental dos entrevistados, que, em diversos momentos, foram convidados a responder se concordavam ou discordavam de quatro afirmações:
“Sinto-me esperançoso em relação ao futuro”,
“Fui feliz”,
“Aproveitei a vida” e
“Senti-me tão bem como as outras pessoas”.
Para chegar ao conceito de “felicidade” usado no estudo, Christakis e Fowler levaram em conta a resposta afirmativa às quatro sentenças.O especialista em psicologia da University College of London, do Reino Unido, professor Andrew Steptoe, disse que “intuitivamente faz sentido que a felicidade das pessoas à nossa volta tenha impacto em nossa própria felicidade. O que é um pouco mais surpreendente é que esse sentimento parta não só daqueles muito próximos a você, mas também de pessoas um pouco mais distantes”.
Conforme o professor, a pesquisa também pode ter implicações em políticas de saúde pública. “A felicidade parece estar associada a efeitos protetores da saúde. Se ela realmente for transmitida por conexões sociais poderia, indiretamente, contribuir para a transmissão social de saúde”, completou.

(Revista IZUNOME- Março 2009 – Igreja Messiânica Mundial do Brasil )

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